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Evangélicos querem controle de Israel sobre Judeia e Samaria

29 DE SETEMBRO DE 2025

Mais de 200 líderes evangélicos pediram ao presidente Donald Trump que defenda o direito de Israel de exercer “soberania sobre o coração bíblico” da Judeia e Samaria (conhecida internacionalmente como Cisjordânia). O apelo foi feito em carta organizada pelo Family Research Council, sediado em Washington, enviada no domingo, antes do encontro de Trump com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na segunda-feira.

Segundo o texto, os signatários estão “profundamente preocupados” com “vozes — até mesmo entre aliados — que defendem políticas” que, na avaliação deles, “enfraqueceriam Israel ao forçar concessões no cerne de sua existência”. A carta afirma: “Restringir ou desencorajar o direito de Israel de exercer soberania sobre o coração bíblico — Judeia e Samaria — não trará paz; apenas prolongará o conflito e aumentará as ameaças, não apenas ao povo judeu, mas também aos palestinos que genuinamente desejam a paz”.

O documento, intitulado “Apoiando o Coração Bíblico de Israel”, insta: “Sr. Presidente, instamos o senhor a resistir à pressão daqueles que, por meio da ‘morte de mil cortes’, querem desmantelar a reivindicação de Israel à terra prometida por Deus nas Escrituras e confirmada pela história. Os Estados Unidos não devem ser cúmplices na destruição do que Deus estabeleceu e continuará a estabelecer”.

A mobilização ocorre em meio a relatos de que Netanyahu levantaria a possibilidade de anexar partes da Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, apesar da oposição declarada de Trump a tal medida. Parceiros de coalizão do premiê teriam pressionado pela anexação da Judeia e Samaria em resposta a reconhecimentos recentes de um Estado palestino por aliados dos Estados Unidos, como Reino Unido, Canadá, Austrália e França — medidas condenadas por Trump.

A carta exorta Trump a “reafirmar a verdade bíblica e histórica” de que “Judeia e Samaria não são apenas a história de Israel, elas são a identidade de Israel”. O texto prossegue: “A soberania sobre esta terra é um direito dado por Deus a Israel e, em nome da justiça e da paz duradoura, ela deve ser reconhecida”.

Em declaração a repórteres na Casa Branca, na quinta-feira, Trump disse que não permitirá a anexação da Cisjordânia por Israel. “Não permitirei. Não vai acontecer”, afirmou. “Quer eu tenha falado com Bibi [Netanyahu] ou não — e falei —, não permitirei que Israel anexe a Cisjordânia. Chega. É hora de parar agora.”

Entre os signatários estão pastores, líderes ministeriais, defensores, autoridades eleitas e legisladores estaduais. Figuram na lista o pastor Gary Hamrick, da Cornerstone Chapel (Leesburg, Virgínia); o pastor Jack Hibbs, da Calvary Chapel Chino Hills, em sua função na Real Life Network; a ex-congressista e atual reitora da Regent University, Michele Bachmann; e o radialista e autor Eric Metaxas. Também assinam Dumisani Washington, do Instituto para a Solidariedade Negra com Israel; Tony Perkins, presidente do Family Research Council; e Mat Staver, presidente do Liberty Counsel. A mensagem final diz: “Como cristãos que se mantêm firmes ao lado do povo judeu, pedimos que continue sua corajosa liderança, reconhecendo o direito de Israel de exercer soberania sobre a Judeia e Samaria. Tal medida não apenas se alinharia à verdade bíblica, mas também promoveria a paz ao fundamentar as políticas na realidade, e não na ilusão. Senhor Presidente, sua liderança neste momento crítico é importante. A história o lembrará como o líder que escolheu se posicionar ao lado da aliança de Deus e de Seu povo, Israel”.

No cenário internacional recente, Trump criticou na Assembleia Geral das Nações Unidas o reconhecimento de um Estado palestino e pediu que potências ocidentais priorizem a libertação dos reféns tomados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, quando 1.200 pessoas — a maioria civis — foram mortas no sul de Israel. A ofensiva do Hamas desencadeou a resposta militar israelense na Faixa de Gaza, território controlado pelo grupo desde 2007. Os Estados Unidos reconhecem o Hamas como organização terrorista estrangeira desde 1997.

O debate sobre a nomenclatura da região também ganhou destaque. O comentarista Tucker Carlson foi criticado após questionar o uso de “Judeia e Samaria”, sugerindo tratar-se de lugares essencialmente fictícios. Em resposta, Susan Michael, presidente da filial americana da Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém e signatária da carta, disse que “os nomes Judeia e Samaria são usados desde os tempos bíblicos e ainda são usados hoje pelo governo israelense”. Segundo ela, “‘Cisjordânia’ descreve apenas o breve período de 19 anos de ocupação jordaniana. É muito mais preciso chamar a região de Judeia e Samaria, o coração bíblico de Israel”.