27 DE NOVEMBRO DE 2025
O roteirista Randall Wallace, conhecido por suas colaborações com o ator e diretor Mel Gibson, inclusive no filme A Paixão de Cristo (2004), afirmou em entrevista recente que a ideia do novo projeto cinematográfico sobre A Ressurreição de Cristo, previsto para ser lançado em duas partes, surgiu de uma conversa entre ambos a respeito da ênfase protestante na vitória de Cristo sobre a morte.
Em participação no podcast Verité Vision, divulgado na terça-feira, Wallace relatou que apresentou a proposta durante um jantar em Dallas. “Estávamos jantando uma noite, só nós dois em Dallas, e eu disse: ‘Sabe, o que precisamos fazer é a Ressurreição’”, recordou.
Segundo ele, a reflexão surgiu após comentários sobre diferenças entre católicos e protestantes quanto à ênfase dada à Crucificação e à Ressurreição. “É algo interessante. Amigos católicos disseram, e não quero generalizar a prática de ninguém, mas no catolicismo há muito mais ênfase na Crucificação, na Paixão. Um amigo católico meu disse que quase nunca falamos da Ressurreição”, afirmou. Wallace, que é batista, citou ainda o simbolismo do crucifixo no catolicismo romano, contrastando-o com a cruz vazia frequentemente usada em igrejas protestantes.
O roteirista afirmou ter dito a Gibson que aquela era uma história que precisava ser contada. A conversa ocorreu enquanto ambos promoviam Até o Último Homem (2016), que narra a trajetória de Desmond Doss, médico de combate adventista que atuou na Segunda Guerra Mundial e se recusava a portar armas por objeção de consciência.
Wallace relatou que Gibson permaneceu em silêncio por alguns instantes após ouvir a proposta, o que interpretou como sinal de atenção. Ele disse que se dispôs a começar o roteiro, descrevendo o projeto como enfrentar “o Monte Everest de todas as histórias”.
O roteirista também contou que Gibson afirmou que mandaria celebrar uma missa em sua intenção e o alertou sobre possíveis ataques espirituais durante a escrita do roteiro. Ambos recordaram experiências relatadas nos bastidores de A Paixão de Cristo, quando o ator Jim Caviezel, intérprete de Jesus, teria sofrido um incidente envolvendo um raio, episódio que Caviezel já mencionou publicamente em anos anteriores.
“‘Satanás vai atrás de você’, disse Mel”, relatou Wallace. Ele afirmou ter respondido em tom de alerta que Gibson seria o principal alvo de tais ataques e que deveria ser sustentado em oração. O roteirista destacou também a preocupação espiritual do diretor com a condução do projeto. “Uma das coisas que [Gibson] me disse foi: ‘Isso não pode ser por dinheiro, não pode ser para provar nada a ninguém. [Com] isso, nossos corações têm que ser puros’”, relatou.
Segundo Wallace, esse diálogo revelou o grau de comprometimento de Gibson: “Naquele momento, eu soube o quanto ele era dedicado e que essa jornada seria realmente longa”.
O novo filme, intitulado A Ressurreição de Cristo, está previsto para ser lançado em 2027. A produção, escrita por Gibson e Wallace, foi descrita por Gibson como “uma viagem de ácido”, expressão usada para indicar a abordagem visual e espiritual intensa da narrativa. O diretor afirmou que os roteiros exploram uma “guerra no reino espiritual”, focando nos acontecimentos imediatos após a Ressurreição.
“As pessoas verão algo nunca visto antes”, disse Wallace. “Será um filme de tirar o fôlego. Pode ser algo perturbador e assombroso, mas será inesquecível.”
As filmagens começaram em outubro, com o ator finlandês Jaakko Ohtonen, de 36 anos, assumindo o papel de Jesus Cristo no lugar de Caviezel. As gravações ocorrem no novo Estúdio 22 da Cinecittà, em Roma, e em diversas localidades históricas do sul da Itália, como Matera, Ginosa, Gravina, Laterza e Altamura.